
O renegado
Em 2003, Adrian Lamo invadiu o sistema do jornal The New York Times apenas para incluir a si mesmo na lista de colaboradores. O jornal não achou graça na brincadeira e denunciou Lamo ao FBI. Em 2004, ele se declarou culpado da invasão e de também ter acessado os sistemas do Yahoo!, Microsoft e WorldCom, recebendo sentença de seis meses de prisão domiciliar na casa dos pais e mais dois anos de liberdade vigiada.
Seis anos depois, ele se tornou um renegado na comunidade hacker quando veio à público ele denunciara ao FBI o soldado Bradley Manning, 22 anos, analista de inteligência do exército americano, como o responsável pelo vazamento de informações confidenciais sobre a Guerra do Iraque, inclusive do polêmico vídeo em que um helicóptero Apache dispara contra civis. Manning, que aparentemente agiu contra a guerra, procurou Lamo em busca de apoio após saber, pela revista Wired, que o hacker era portador da Síndrome de Asperger, uma forma de autismo. Considerava os dois “almas irmãs”, mas Lamo disse que denunciando Manning salvaria vidas de militares americanos em combate.
Caiu, a partir de então, em desgraça com os ex-fãs. O site sueco Wikileaks, que publicou na internet o vídeo do ataque de helicóptero, chamou-o de ‘notório ladrão de informação e manipulador’. Lamo, hoje um consultor de segurança de empresas, também vive a situação inusitada de ser cumprimentado, graças a seu “patriotismo”, por pessoas que antes o criticavam pela vida de hacker.
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